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10 perguntas e respostas sobre a diabetes melito em crianças

O diabetes melito é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Os tipos mais comum são o 1 e o 2. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes mostram que atualmente o Brasil possui mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população. E o número está crescendo.

O diagnóstico tardio favorece o aparecimento de complicações. A seguir, dr. Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), esclarece as principais dúvidas sobre a doença que acomete crianças, adolescentes e adultos em qualquer idade.

1) O que é diabetes melito?

Diabetes melito é uma doença na qual o nível de um açúcar, chamado glicose, está alto no sangue. Isso ocorre pela deficiência de insulina, uma substância (hormônio) produzida pelo pâncreas, um órgão localizado no abdome atrás do estômago. A principal função da insulina é fazer com que o açúcar proveniente dos alimentos possa entrar nas células e seja transformado em energia. No diabetes, o açúcar absorvido pelo intestino e levado para o sangue não consegue entrar nas células devido a falta de insulina. Sem poder entra nas células, o açúcar aumenta sua quantidade no sangue causando a hiperglicemia (glicose elevada no sangue), que é a principal manifestação da doença.

2) Quantos tipos de diabetes existem?

Existem vários tipos de diabetes melito. Os dois tipos principais são o tipo 1 e o tipo 2. Além deles, existem outros tipos como, por exemplo, o diabetes melito causado por medicamentos, por doenças e pela gravidez (diabetes gestacional).

3) O diabetes que mais acomete crianças é o do tipo 1, certo? Como diferenciar diabetes tipo 1 do tipo 2?

Sim, o diabetes melito que mais acomete crianças e adolescentes é o do tipo 1. Ele é uma doença autoimune causada pela produção de anticorpos que levam a destruição das células do pâncreas que produzem insulina. Por isso, a pessoa portadora desse tipo de diabetes necessita do uso de insulina para mantê-lo controlado. O diabetes melito tipo 2 é mais frequente em adultos acima de 35-40 anos. Mas, recentemente, tem-se observado um aumento do número de adolescentes com esse tipo de diabetes devido a crescente prevalência de obesidade nessa faixa etária. No diabetes melito tipo 2 a produção de insulina está presente, mas é incapaz de manter a glicemia normal, por isso, muitas vezes ele pode ser tratado com antidiabéticos orais (comprimidos que ajudam a insulina a trabalhar).

4) Como o diabetes se manifesta?

O açúcar que não pode entrar nas células devido a falta de insulina vai aumentando sua quantidade no sangue (hiperglicemia) até chegar a um ponto em que o excesso tem de ser colocado pra fora pela urina. Isso faz com que a pessoa passe a urinar várias vezes ao dia e em grande quantidade. Para compensar essa perda de água pela urina, a sede aumenta e a pessoa passa a beber mais água. Como as células não podem usar o açúcar, o organismo tem de usar gordura em substituição a glicose, o que leva a perda de peso. Então, as principais manifestações que fazem pensar que uma criança ou adolescente tenha diabetes são: muita sede, muita fome, perda de peso e aumento da frequência e quantidade de urina.

5) O diabetes é mais grave quando se manifesta ainda na infância? Por quê?

Sim. Crianças e jovens, como recém-nascidos e lactentes não conseguem expressar os sintomas clássicos do diabetes. Por isso, o reconhecimento dos sintomas é mais tardio e muitas vezes o diagnóstico só é feito quando a criança já apresenta cetoacidose diabética (complicação grave da hiperglicemia não tratada). Sendo assim, os médicos devem estar atentos para manifestações que sugiram diabetes nessa faixa etária. Por exemplo: fome inexplicável, choro ao terminar a mamadeira oferecida no volume habitual, querer beber água do banho ou sugar a toalha molhada, troca mais frequente de fraldas, fraldas que ficam mais pesadas, perda de peso ou ganho insuficiente de peso, etc.

6) O diabetes tipo 1 só acomete crianças e por isso é chamado de “diabetes tipo 1 infantil” ? O diabetes tipo 2 não atinge as crianças?

Como vimos, o diabetes tipo 1 acomete principalmente crianças, mas também pode ocorrer em adultos jovens. Por isso, não se deve utilizar o termo “diabetes juvenil”. Embora o diabetes tipo 2 ocorra predominantemente em adultos, recentemente tem-se observado um aumento de adolescentes com esse tipo de diabetes devido ao amento do número de crianças obesas nessa faixa etária. Então, a prevenção ao excesso de peso em crianças é importante para evitar que elas venham desenvolver o diabetes tipo 2, uma doença, no passado, restrita aos adultos.

7) É um diagnóstico muito assustador para os pais. Como é o tratamento normalmente?

Como qualquer doença crônica, e que requer tratamento para o resto da vida, esse é um diagnóstico difícil para os pais e para a criança. Mas o diabetes melito é uma doença que, se adequadamente tratada, permite à criança ter uma vida normal. O tratamento do diabetes na criança deve ser feito por um Endocrinologista Pediátrico, juntamente com uma equipe multidisciplinar composta por nutricionista, psicólogo, enfermeiro e educadores em diabetes. Esse tratamento é oferecido gratuitamente e com qualidade pelos serviços especializados presentes nos ambulatórios da maioria das faculdades de medicina em todo o país. O diabetes melito tipo 1 é tratado pela combinação de: reposição de insulina, atividade física regular, alimentação saudável e monitoração domiciliar da glicemia.

8) No que o diabetes interfere no cotidiano da criança?

O tratamento do diabetes modificará um pouco o cotidiano da criança. Essas modificações serão mais sentidas no período logo após o diagnóstico, quando tudo ainda é novo e assustador. Mas, com o tempo, a “poeira baixará”, e com ajuda da equipe médica, orientando, educando e dando suporte, logo essas alterações, a principio novas, entrarão na rotina. Os principais fatores que interferem no cotidiano da criança com diabetes são: necessidade de checar glicemia várias vezes ao dia, não poder comer “tudo o que quiser na hora que desejar” e ter de aplicar a insulina (injeção subcutânea) algumas vezes por dia.

9) Como é quando a criança já está na escola? Há cuidados a mais a serem tomados?

A criança e o adolescente permanecem na escola grande parte do seu dia. Por isso, o diretor, professores e funcionários devem receber, por escrito, informações de que aquele aluno tem diabetes e quais as possíveis complicações que podem ocorrer na escola. Assim, devem ser informados sobre hipoglicemia (açúcar baixo no sangue) e hiperglicemia (açúcar alto no sangue) e também terem os telefones dos pais e de alguém da equipe médica para que possam entrar em contato, se necessário.

10) O que esperar para o futuro do diabetes?

O diabetes melito tipo 1 é uma doença tratável, como são muitas outras em medicina como a hipertensão arterial e dislipidemia. Embora não exista uma cura nesse momento, vários progressos já ocorreram nos últimos anos: insulinas mais modernas e eficazes, agulhas que possibilitam injeções indolores, monitores domiciliares de glicemia, monitores de glicemia que não necessitam furar o dedo, bombas de infusão de insulina, insulina inalável. Além disso, milhares de pesquisadores em todo o mundo estudam o diabetes, tanto para preveni-lo como para melhor trata-lo e até mesmo curá-lo (ex: transplante de células beta ou células tronco). Portanto, vamos aproveitar os recursos existentes e levar uma vida normal (brincar, estudar, trabalhar, namorar, casar, ter filhos). Caso alguma novidade surja, você estará em perfeitas condições de saúde para aproveitá-la. Tenha saúde e seja feliz. Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Noticias ao Minuto

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR.
Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social “Jornalismo” na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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