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Divulgado primeiro estudo que liga anticoncepcional ao câncer de mama

Orientação não aponta para a interrupção da pílula, mas para a conversa com o médico, a fim de avaliar os riscos de cada mulher

Um estudo publicado no dia 7 de dezembro de 2017 em uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, o New England Journal of Medicine, trouxe novos dados sobre a associação dos anticoncepcionais e o câncer de mama. O estudo foi realizado na Dinamarca e, ao todo, foram avaliadas 1,8 milhão de mulheres com idade entre 15 e 49 anos, sem história prévia de câncer, tratamento para infertilidade ou passado de trombose. Após 10 anos, foram diagnosticados 11.517 casos de câncer de mama. O uso de qualquer tipo de anticoncepcional hormonal (incluindo o DIU de progesterona) se associou a 1,3 novos casos de câncer de mama para cada 10 mil mulheres ao ano. Este aumento de risco se mostrou tanto maior quanto maior o tempo de uso dos anticoncepcionais hormonais. “A associação entre uso de anticoncepcionais hormonais e câncer de mama vem sendo estudada há tempos, porém até o momento, nenhuma forte evidência científica tinha sido capaz de provar que o uso prolongado dos contraceptivos hormonais aumentava a incidência de câncer de mama, fazendo com que este assunto fosse considerado um dos mitos sobre o que causa o câncer”, comenta o médico Adolfo Scherr, oncologista e membro do Grupo SOnHe SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia.

Um dado importante da pesquisa, apontado pelo especialista, é que para o grupo de mulheres abaixo de 35 anos – que representa a grande maioria das usuárias de anticoncepcionais hormonais – o estudo mostrou um risco menor do que para mulheres acima de 35 ou 40 anos. “Para as mais jovens, o risco foi de 0,2 casos de câncer de mama em cada 10 mil mulheres ao ano. Portanto, vale ressaltar que mulheres com mais de 35 anos são as que devem estar ainda mais atentas”, acrescenta.

A informação atinge e amedronta boa parte da população feminina que utiliza métodos hormonais para se prevenir da gravidez indesejada. Desta forma, o oncologista faz questão de reafirmar a posição da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e da Sociedade Brasileira de Mastologia que divulgaram notas no sentido de orientar as mulheres a conversarem com seus médicos. “Nossa orientação é que as mulheres não interrompam o uso dos anticoncepcionais. Mas que conversem com seus médicos e avaliem os riscos. Aquelas que já tiveram câncer ou as que possuem risco elevado para desenvolver este tipo de câncer (como as que tem parente em primeiro grau – mãe ou irmãs – acometida pela doença) devem cogitar e discutir o uso de outros métodos contraceptivos”, diz o especialista.

Outro fato importante sobre o estudo, segundo o médico, é que não houve aumento de risco entre as mulheres que utilizaram contraceptivos hormonais por um tempo inferior a cinco anos. “Vale ressaltar que o acréscimo de risco desapareceu após a interrupção do remédio, o que nos permite concluir que o uso desse medicamento não está associado na gênese propriamente dita do câncer de mama, ou seja, no agravo genético que dá origem ao câncer”, aponta.

Segundo ele, são necessários mais estudos para comprovar a ligação entre os anticoncepcionais hormonais e o câncer de mama. “O tema permanece controverso. Sabemos que este estudo dará início a vários outros, com metodologias científicas diferenciadas e ainda mais apropriadas. Esperamos, em breve, ter o apontamento seguro para as pacientes”, comenta. No momento, de acordo com Scherr, é importante dar início à discussão com o ginecologista.

Histórico: anticoncepcionais

Em maio de 1960, a agência reguladora americana para medicações e alimentos (FDA) aprovou nos EUA o uso da primeira pílula anticoncepcional baseando-se nos estudos do cientista americano Gregory Pincus, conhecido como o “pai da pílula”. Uma grande novidade chegava às farmácias e à vida dos casais, interferindo de forma significativa no planejamento familiar. Em pouco tempo, os anticoncepcionais hormonais ganhariam o mundo, impulsionando a chamada revolução feminina.

“No Brasil, a comercialização se iniciou em 1963. Assim, na década de 70 a taxa de fecundidade no país era de 5,8 filhos por casal e o percentual da população feminina economicamente ativa era de aproximadamente 28%. Em 2007, a taxa de fecundidade reduziu drasticamente para 2,0 filhos por casal ao passo que a população feminina economicamente ativa saltou para 43%”, conta o oncologista Adolfo Scherr.

As primeiras pílulas anticoncepcionais contavam com uma concentração muito alta de hormônios femininos (estrogênio sintético e derivados da progesterona) e por isso, eram responsáveis por vários efeitos colaterais como retenção de líquidos (edema), maior predisposição a trombose nas pernas e até mesmo embolia pulmonar. Com o passar dos anos, a concentração hormonal nos contraceptivos foi diminuindo gradativamente, sendo, hoje, aproximadamente dez vezes menor que nas primeiras pílulas. Novas combinações hormonais foram estudadas, assim como novas vias de administração que não a convencional pílula oral como, por exemplo, o implante subcutâneo em forma de bastão e o dispositivo intra-uterino (DIU) de progesterona.

Fonte: http://www.segs.com.br/saude/99310.html

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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