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E a saúde nas Olimpíadas?

Erro é tudo que não deu certo. Estatisticamente, para cada acidente (evento adverso, erro) em qualquer atividade humana (por exemplo, na aviação, engenharia ou medicina), ocorreram antes pelo menos 30 incidentes com danos leves e 300 anormalidades, nas quais não ocorreu dano ou esse não foi percebido pelos envolvidos.

Os erros são inevitáveis em qualquer atividade humana, mas os danos podem e devem ser evitados e sempre mitigados. Achar que não houve erro pode ser o último erro. Poderá ser fatal!

A cultura de segurança busca ativamente os erros, dessa forma diminuindo suas consequências, ou seja, os danos.

Diante de uma anormalidade, deve-se buscar entender o que ocorreu e quais foram os fatores que contribuíram para esse evento indesejado. Essa é a filosofia da investigação na aviação e que venho buscando no cenário da saúde. Não existe acidente sem precedente.

Quando ocorre um desastre por uma ação indevida e consciente, não há erro, mas sim uma violação, dolosa ou culposa. Nesse caso, ocorreu a ruptura da segurança, e a investigação será para apurar e penalizar responsáveis. Ao final de um doloroso processo, percebem-se as inúmeras oportunidades perdidas para ações preventivas.

Já escrevi sobre o atentado terrorista em Paris, o inverídico padrão FIFA e a ciclovia da morte, todos na busca de quem será o responsável pela coordenação do sistema de saúde da cidade durante os Jogos.

Há menos de 100 dias das Olimpíadas e Paralimpíadas, como está o sistema de saúde da cidade?

Desastres poderão ocorrer com a atual estrutura do sistema público de saúde, quando aos milhões de moradores do Rio se juntarão milhares de visitantes. Mais gente, mais apendicite, problemas de vesícula, infarto, perna quebrada, baleados, esfaqueados. E se despencar outra obra cimentada com cuspe ou houver algum atentado terrorista?

As 136 novas ambulâncias para atendimento e transporte de pacientes, custeadas pelo Ministério da Saúde, ainda não foram entregues, bem como ainda não foram contratados e treinados seus motoristas. Um cálculo otimista para cobertura por 24 horas sugere a necessidade de pelo menos 272 motoristas com certificação especial. Socorristas ‒ 60 médicos e 500 técnicos de enfermagem ‒, todos treinados, experientes e trabalhando em sincronia, é outro número mágico. Será irresponsabilidade contar com voluntários para esse cenário.

Os dois novos, versáteis e maiores helicópteros da PM estão ainda na Helibras. Já foram pagos?

Sangue não se compra, e o Hemorio, premiado internacionalmente, hoje sofre de sérios problemas.

Nos cambaleantes hospitais públicos ‒ para onde irá o povão ‒, as equipes estão completas, em experiência e sincronia? Será decretado feriado para as doenças e as filas crônicas?

A propósito, por que despencou o elevador do Hospital Municipal Pedro II, nessa quinta-feira?

É necessário buscar uma solução transparente e realística para tais desafios olímpicos.

Fonte: Globo

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR.
Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social “Jornalismo” na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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