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GATEM promove IX Simpósio de Esclerose Múltipla do Alto Tietê

Profissionais da saúde, associações e representantes da gestão da cidade e do Ministério da Saúde estiveram presente na Universidade Braz Cubas, local que sediou o evento.

Os Blogueiros da Saúde foram convidados a participar, no dia 30 de maio de 2015, do IX Simpósio de Esclerose Múltipla do Alto Tietê, organizado pelo Grupo Alto Tietê de Esclerose Múltipla (GATEM), nas instalações do auditório vip da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes, São Paulo.

O IX Simpósio de Esclerose Múltipla do Alto Tietê, contou com a participação de diversos profissionais da saúde, associações e representantes do governo municipal e federal. A mesa inicial foi composta por Eliane C. Ferreira Pinto, presidenta do GATEM; Eliane Aparecida Prado Mangini, secretária de assistência social da cidade de Mogi das Cruzes e Drº Claudio Yukio Miyake, ortodontista e vereador de Mogi das Cruzes, representando o prefeito da cidade.

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Valeriana Alves, coordenadora da Coordenadoria da Pessoa com Deficiência (PMMC) e Ricardo Pedroso, representante do Conselho Municipal para Assuntos da Pessoa com Deficiência (CMAPD) também estiveram presentes na mesa inicial do IX Simpósio de Esclerose Múltipla.

DSCN4742Iniciando as falas e apresentações, a academia Art Sport realizou uma performance de dança com as alunas da terceira idade. A ideia era mostrar que o bem-estar e a qualidade de vida ajudam no tratamento de diversas doenças e que as limitações físicas não devem ser um empecilho para seguir a vida.

O evento seguiu com um panorama feito pelo Drº Claudio Miyake sobre os equipamentos de saúde da cidade de São Paulo. Miyake abordou as unidades filantrópicas, que atendiam os então “desassistidos”, em meados dos anos 70, e traçou uma linha cronológica de como a saúde pública que conhecemos hoje chegou ao patamar de atendimento gratuito ao público.

Mesmo havendo pontos a melhorar, a ideia de atendimento a todos que necessitam de assistência médica de forma gratuita é recente, e ainda precisa de planos de aprimoramento.

A questão da falta de água que acomete não só em São Paulo, mas em diversos estados do Brasil também foi um dos assuntos do evento. Gerson Benedito de Barros, engenheiro do Departamento de Qualidade da Água, o Semae, levantou dados sobre a seca nos reservatórios e sobre como é importante ser consciente na utilização da água.

Tratamento da Esclerose e os Novos Medicamentos

DSCN4798Dr. Giorge Kelian, neurologista e especialista em Esclerose Multipla, que teve a oportunidade de trabalhar no primeiro Centro de Referência em E.M, o Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla da Disciplina de Neurologia da Santa Casa de São Paulo (CATEM), também esteve presente no Simpósio. Giorge falou sobre formas clínicas da doença, os surtos e de como diagnósticos precoces e tratamentos feitos de acordo com cada grau da doença podem ajudar na melhora dos quadros de E.M.

A manutenção da doença é feita com drogas imunomoduladoras ou imunossupressoras. O corpo humano trabalha como uma balança de substâncias: as anti-inflamatórias e as pró-inflamatórias. No caso da esclerose múltipla, essas substâncias penderam para o lado inflamatório. Assim, os medicamentos imunomoduladores tendem a diminuir, corrigir e equilibrar as citocinas da doença. Contudo, isso dependerá do grau da atividade inflamatória da patologia e da topografia das lesões (drogas imunomoduladora modulam após seis a nove meses do início do tratamento).

 “O diferencial nos tratamentos atuais da esclerose múltipla é que o médico tem a possibilidade de ser um pouquinho mais agressivo com uma doença que também caminha de forma mais agressiva no paciente”, conta Giorge. “Antes não tínhamos essa oportunidade, porém, tudo depende da doença e de como o paciente reage. ”, completa o neurologista”.

Com o avanço da medicina, novos medicamentos tem chegado ao Brasil e já estão disponíveis no SUS, inclusive, um novo medicamento oral, mas para ter acesso a este novo tratamento o paciente deve seguir as exigências do Protocolo Clinico e Diretrizes Terapêuticas da Esclerose Múltipla, não se trata de um medicamento de primeira escolha, o paciente deve ter passado por outras etapas do tratamento, a escolha pela novo medicamento deve ser uma decisão compartilhada entre médico e paciente, baseada em dados médicos, amparados pelos consensos do protocolo de tratamento, “Time que está ganhando não se mexe”, concluí Dr. Giorgi.

DSCN4774A Dra. Maria Inez Gadelha, médica oncologista, assessora técnica e diretora da Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, expos a palestra sobre como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT)  da E.M. são importantes.

“Seguir o PCDT da E.M. é importante para ter segurança, eficácia, efetividade e reprodutibilidade. O protocolo conta com todo o cuidado a respeito de evidência científica e o quanto esses fatores são importantes e relevantes para a eficácia de uma nova tecnologia (medicamento)”, explicou Maria Inez.

Os medicamentos disponibilizados pelo SUS para Esclerose Múltipla, através do protocolo (PCDT) são: Glatirâmer (Copaxone), Betainterferonas (Rebif, Betaferon, Avonex), Azatioprina, Metilprednisolona, Natalizumabe (Tysabre), Fingolimode (Gylenia).

“A tomada de decisão de uma nova tecnologia (medicamento) a partir de análises, estudos clínicos e diretrizes tem que ser feitas de forma global. A responsabilidade da política pública tem que contar com a avaliação de todas essas características, que são clínicas, baseadas nos estudos e nas pesquisas econômicas dos próprios doentes e também organizacionais”, analisa Maria Inez Gadelha.

A professora e coordenadora de fisioterapia da Universidade de Braz Cubas, Márcia Regina Pinez Mendes falou sobre como o fisioterapeuta pode ajudar na manutenção de movimentos e bem estar de uma paciente com E.M.

Ela também deu um panorama sobre a esclerose sistêmica (acometimento vascular da pequena e microcirculação e deposição excessiva de colágeno na pele e órgãos internos, especialmente trato gastrintestinal, pulmões, coração e rins) e a esclerose lateral amiotrófica (doença degenerativa do sistema nervoso, que acarreta paralisia motora progressiva, irreversível e de maneira limitante), que exigem um trabalho contínuo e elaborado do profissional.

Os movimentos de luta pelo país em prol da assistência ao paciente com esclerose, os aspectos psicológicos, histórias de vida e a experiências de profissionais que prestam serviços a sociedade também tiveram seu espaço no IX Simpósio de Esclerose Múltipla do Alto Tietê.

Cleuza de Carvalho Miguel, conselheira nacional e coordenadora da Comissão Inter setorial de Pessoas com Patologias (CIPP), discursou sobre políticas públicas e como o governo trabalha em relação às patologias no sentido de garantir regularidade da oferta de recursos e programas de acompanhamento.

A coordenadora da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Valeriana Alves, falou ao simpósio sobre sua experiência de vida. Valeriana não possui os movimentos das pernas desde que nasceu. Ela trabalha na Prefeitura de Mogi das Cruzes elaborando e coordenando medidas que ajudam os portadores de necessidades especiais. Trazendo uma mensagem de incentivo, Valeriana colocou-se como exemplo de luta e de perseverança em prol das pessoas com deficiência.

Representando a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), a psicóloga Ana Maria Canzonieri apresentou os resultados da pesquisa feita pela ABEM no ano passado sobre os aspectos emocionais dos pacientes de Esclerose Múltipla. O acompanhamento psicológico e como paciente lida com suas limitações o ajuda a levar uma vida melhor e perceber as superações, sejam grandes ou pequenas.

Por fim, fizeram parte do simpósio o bombeiro Marcelo Coccaro, que após vinte anos de trabalho na corporação apresenta palestras sobre primeiros socorros e engasgamentos, situações que podem ocorrer com mais frequência em pacientes com grau elevado de E.M.. Já o promotor de justiça de Mogi das Cruzes, Ari Sergio Del Fiol Modolo, exemplificou aos participantes como a ética profissional e as boas condutas médicas são importantes para o bom caminho da profissão.

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Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR.
Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social “Jornalismo” na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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