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Mulheres são mais vulneráveis à esclerose múltipla

Alterações na visão, sensações de formigamento no corpo e perda de sensibilidade da temperatura. Estes são alguns sinais de esclerose múltipla ainda no começo da doença. Mulheres entre 18 e 45 anos devem estar mais atentas a essa doença. A clínica médica Caroline Vieira Spessoto, com graduação e mestrado pela Unimes (Universidade Metropolitana de Santos) e residência em clínica médica pela Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, conta que acompanhou durante dois anos o Ambulatório de Especialização em Esclerose Múltipla da Baixada Santista. Em entrevista à Folha, ela explica a principais dúvidas sobre a doença.
O que é a esclerose múltipla?
É uma doença crônica, assim como diabetes, e não tem cura. Ela tem uma remissão de sintomas. Existem várias pesquisas para tentar descobrir de onde vem a esclerose, mas em resumo, afirmam que é uma doença autoimune, que é quando nosso corpo ataca as próprias células do organismo. No caso da esclerose, os linfócitos(células do nosso sistema imunológico) atacam a Bainha de Mielina, que fica no sistema nervoso central e podem destruí-la.
Esclerose tem cura? 
Não há cura! Tem como melhorar os sintomas e parar a progressão da esclerose múltipla. Há formas que são um pouco mais agressivas. Assim, a medicação tende a ser mais agressiva também. E há formas que são um pouco mais brandas porque é uma doença caracterizada por surtos. É como se fosse um fio elétrico com uma capa, então, a mielina seria essa capa, o linfócito destrói essa capa fazendo com que o impulso do neurônio fique alterado. Por isso, há os sintomas. Então, dependendo da região do cérebro que essa amelina é destruída, a pessoa irá desenvolver um sintoma diferente. Então, pode ser que, no primeiro surto, o paciente perca a visão e, depois, ela melhore, porque essa mielina se refaz de uma certa maneira, mas não volta 100%. Pode ser que, num primeiro surto, se for uma fase mais branda ela volte mas há pessoas que não terão essa facilidade. Então, essa doença se caracteriza por surtos, como se fosse um gráfico oscilando.
Quais são esses surtos?
A pessoa pode ter um surto diferente do outro, não necessariamente ela irá perder a visão no primeiro surto e no próximo. Geralmente, o quadro pode abrir com a perda visual, ou pode também ter perda de coordenação motora, perda de equilíbrio, tontura, sensações diferentes no corpo (formigamento), perda de sensibilidade de temperatura. Já num próximo surto, a pessoa pode desenvolver sintomas semelhantes ao primeiro ou pode acontecer de o segundo surto ser diferente do primeiro. Então, a imagem vista na ressonância (exame de diagnóstico) aumenta e condiz ao que está sendo avaliado no exame clínico, ou seja, a pessoa está sempre tendo surtos de perda visual. Pode acontecer de o paciente abrir um quadro psiquiátrico e desenvolver outros sintomas depois, ao longo da investigação.
Que tipos de modificações físicas a esclerose causa?
Há pessoas que nem aparentam ter a doença, por ter feito o diagnóstico na fase inicial e por manter o tratamento contínuo. Mas há outros casos de diagnóstico tardio que podem provocar a amielina e o corpo não conseguir restaurar mais. Levando o paciente a ter complicações motoras, como perda de movimentos. Não é uma doença que vai matar, mas ela pode deixar bastante debilitado. Depende muito de como a pessoa lida com o tratamento, não adianta se medicar e não manter uma alimentação saudável, fumar, não praticar exercícios físicos. É essencial aliar o tratamento com uma qualidade de vida. Um dos principais sintomas da esclerose múltipla é a alteração visual. Também podem desenvolver vertigem, ligada à perda de equilíbrio.
Quais são os fatores de risco? 
No Brasil, dez a cada 100 mil habitantes têm a doença, sendo que é mais comum em mulheres, na média de idade entre 18 a 45 anos para o quadro inicial. Então, é menos provável uma pessoa acima de 45 anos abrir um quadro de esclerose. A não ser que ela tenha um histórico familiar. Fatores climáticos, raça, idade, sexo, tudo isso está relacionado ao desenvolvimento da esclerose, sendo em mulher, muito mais comum a doença.
Como é feito o diagnóstico da doença?
Quando se tem a síndrome clínica isolada, quando a pessoa tem um quadro de esclerose, já há uma indicação para tratar se houver um fator de risco, se ela for fumante, tiver histórico familiar de doenças auto imunes como lupus, por exemplo. Mas para fechar o diagnóstico de esclerose eu preciso de uma avaliação clínica, ressonância magnética do cérebro e de toda a coluna e o lícor (exame colhido da coluna, líquido). É uma soma de pontos que irá fechar o diagnóstico da esclerose. As vezes precisa de uma equipe multidisciplinar com psicólogo, até para pessoa entender que ela tem a doença, muitas vezes é difícil essa compreensão. Com fisioterapeuta porque algumas pessoas podem desenvolver problemas motores na perna, nos braços, as vezes na fala e pode demandar um fonoaudiólogo. Então depende muito de cada caso.
Quais são as formas de tratamento?
Tem injeções diárias subcutâneas, intramusculares que são três vezes por semana, tem as infusões endovenosas que são uma vez por mês. E são tratamentos imunossupressores eles abaixam muito o sistema imunológico porque o sistema imune ataca o corpo. Ai corre o risco de infecção e de o paciente ficar internado. O tratamento se da de acordo com cada caso, há casos mais específicos e que devem ter uma atenção maior. Desde 2016 existe o tratamento com comprimidos, porém é menos acessível do que o tratamento a base de injeções.
Outras ações que podem influenciar no tratamento são, fazer as refeições nos horários certos, não fazer jejum prolongado, manter uma alimentação rica em fibras. A atividade física ajuda também a parte intestinal. Essa atividade física que é recomendada pela sociedade de cardiologia são 15 minutos por dia ou 30 minutos três vezes por semana, já é suficiente. A doença melhora com corticóide. Quando a pessoa tem um surto , uma das ações feita é a pulsoterapia que são as altas doses de corticóide. A maioria dos pacientes tem uma deficiência de vitamina D, mas ela não é a causa da doença nem também é o tratamento.
Fonte:  http://folha.fr/1.370765

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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