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Pacientes com câncer revelam drama e dificuldades para tratar a dor

Acesso a tratamento oral domiciliar contra as dores causadas pelo câncer e seus tratamentos ainda são inacessíveis para a maioria dos pacientes

Fadiga, constipação, náuseas, anemia e falta de apetite. Esses são alguns dos efeitos colaterais mais comuns causados pelas terapias antioneoplásicas, como quimioterapia e radioterapia, e que costumam ser tratados com medicação oral prescrita pelo médico. No entanto, há um efeito ainda mais grave, com impacto físico, econômico e social, mas que é encarado como um aspecto secundário da doença: a dor.

Estima-se que 80% dos pacientes oncológicos sofram com dores, sejam decorrentes do próprio avanço do tumor ou do tratamento tradicional – metade das vezes classificada como moderada ou intensa. Mesmo com a alta incidência, os pacientes têm poucas escolhas: ou se submetem ao tratamento intravenoso – que, além de invasivo e doloroso, requer deslocamento ao hospital e, muitas vezes, internação – ou arcam com os custos da medicação oral, que não é subsidiada pela maior parte dos planos de saúde.

De acordo com o oncologista Elge Werneck, esse cenário contribui para que muitos pacientes abandonem o tratamento da dor. “Além do alto impacto na qualidade de vida e nas relações sociais, o manejo inadequado da dor dificulta a adesão ao tratamento oncológico tradicional, influenciando diretamente nos índices de sobrevida”. O médico defende a ampliação do acesso à medicação oral domiciliar como uma importante ferramenta para o sucesso do tratamento. “Como se tratam de drogas de fácil utilização, o tratamento pode ser conduzido pelo próprio paciente ou por pessoas próximas a ele, oferecendo mais comodidade e independência”, reforça.

A aposentada Filomena Andrade, 55, tratou três tipos de câncer – mama, ossos e cérebro – por uma década. “Não é fácil lidar com nenhum efeito colateral, mas a dor certamente é o mais difícil deles. O câncer nos ossos é terrível, tive episódios de muita dor, quando achava que não conseguiria seguir em frente”, relembra. Para ela, o uso de medicação oral em casa, como suporte à terapia tradicional, foi fundamental para sua recuperação. “Só precisei ir ao hospital para a cirurgia. Não ter que ficar internada por meses em hospitais durante o tratamento foi importante para minha recuperação”, diz.

Elge comenta que mesmo uma pessoa que se curou de câncer pode continuar sentindo dores anos depois e cita, como exemplo, uma paciente que se curou do câncer de mama, mas que permanece sofrendo com as dores da cirurgia. “É fundamental que a paciente dê continuidade ao tratamento para a dor e, para isso, ela precisa ter opções e poder escolher a que considerar melhor para seu caso”.

Ampliação do acesso – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decide, nos próximos meses, se irá ampliar o acesso dos pacientes com câncer ao tratamento oral domiciliar gratuito – oferecido, atualmente, apenas a aqueles diagnosticados com dores neuropáticas. Caso aprovada, a nova Resolução Normativa do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde entrará em janeiro de 2016.

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR.
Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social “Jornalismo” na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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