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Pacientes denunciam falta de repasse de medicamentos para transplante de rim

Ex-pacientes de transplantes de rim estão vivenciando um drama. Entre os principais medicamentos necessários após a cirurgia, a ciclosporina e a azatioprina têm seu repasse atrasado há pelo menos quatro meses. Os medicamentos são responsáveis por controlar a rejeição do novo órgão por parte do corpo do transplantado.

A compra do medicamento é centralizada pelo Ministério da Saúde, que o repassa às secretarias estaduais de saúde. Essas, por sua vez, são responsáveis pelo fornecimento aos pacientes por meio do Sistema Único de Saúde.

— Já vem faltando há alguns anos, mas dessa vez, estão se superando. São mais ou menos quatro meses sem medicação — diz a auxiliar administrativa Marlei Bispo, transplantada há 24 anos.

Nas farmácias, uma caixa de azatioprina custa entre R$90 e R$112, segundo pacientes. Já a ciclosporina tem uma caixas custando de R$150 a até R$400, dependendo da dosagem. Caso não haja repasse do medicamento, os afetados serão obrigados a desembolsar quantias semelhantes ou maiores, já que pode ser necessário utilizar mais de uma caixa mensalmente.

— Com certeza deverei tirar de onde eu não tenho, dependendo da ajuda de familiares. Por se tratar de medicamentos de alto custo, tenho que parcelar e comprometer o cartão de crédito — diz Marlei.

IMPOSSIBILIDADE DE RETIRADA RETROATIVA

Outra reclamação dos ex-pacientes é quanto à impossibilidade de retirada retroativa de medicamentos. Segundo a servidora pública Sandra Lopes, caso as unidades de saúde do Estado não possuam os remédios em um determinado mês, não é possível retirar o equivalente a dois meses no mês seguinte. Nos períodos mais complicados, a servidora chegou a contar com doações de fora do Rio.

— Algumas pessoas em outros estados tinham e me doaram. Só que hoje em dia ninguém está podendo doar para ninguém, porque todos os estados estão em falta — diz Sandra, que é transplantada há 27 anos.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que as remessas dos medicamentos em falta estão sendo entregues nos próximos dias. Veja a nota na íntegra:

“A Superintendência de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da SES informa que:

– Azatioprina e Ciclosporina 25mg: foram entregues pelo fornecedor nesta quinta-feira (14/06) e estará disponível para retira dos pacientes cadastrados na RioFarmes até a segunda-feira (18/06).

– Ciclosporina 50 mg: o fornecedor entregou uma primeira remessa, que já está disponível para os pacientes cadastrados na RioFarmes. A entrega de nova remessa está prevista para a segunda quinzena de junho.

– Ciclosporina 100 mg: entrega pelo fornecedor está prevista para amanhã (15/06)”.

O Ministério da Saúde também se pronunciou a respeito do assunto, informando que a compra dos medicamentos ciclosporina e azatioprima é de responsabilidade das secretarias estaduais de Saúde. Leia a nota na íntegra:

“O Ministério da Saúde informa que os medicamentos ciclosporina e azatioprina nas apresentações de 10mg, 25mg, 50mg e 100mg, é financiado pelas Secretarias Estaduais de Saúde, segundo a legislação do SUS. Assim, os recursos, a aquisição, a programação, o armazenamento, a distribuição e a dispensação desses medicamentos são de responsabilidade das Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal. É importante esclarecer que os medicamentos citados são alternativos terapêuticas (imunossupressores), geralmente utilizado em primeira linha de tratamento, para uma série de doenças auto-imunes e alguns transplantes.

Cabe esclarecer ainda que cada Protocolo clínico e diretriz terapêutica tem uma linha de tratamento. Há outros medicamentos disponíveis, todavia a indicação deles é para os casos de falha terapêutica ou toxicidade ao uso de azatioprina e ciclosporina. No entanto, o paciente vai “ queimar” uma etapa do tratamento, sendo obrigado a passar para uma segunda linha de tratamento (os medicamentos de segunda escolha variam de acordo com cada condição clínica).

Os recursos dos medicamentos azatioprina e ciclosporina não são repassados pelo Ministério da Saúde e sim pelo orçamento próprio do estado”.

Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/pacientes-denunciam-falta-de-repasse-de-medicamentos-para-transplante-de-rim-rv1-1-22780204.html

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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