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Transplantada, jovem sofre com falta de medicamentos e reclama falta de medicamentos de atraso em repasses do TFD

Festival de hambúrguer, venda de pizzas e vaquinha online: no que dependeu do esforço pessoal de Josiane Siqueira, tudo deu certo. Mas, no que depende da ação do  poder público, ela reclama. A jovem submeteu-se em maio deste ano a um transplante de medula óssea bem sucedido, em Curitiba. O tratamento, cuja expectativa foi narrada pelo  Olhar Conceito, têm se tornado preocupação, isto pois a Farmácia Popular, iniciativa do governo federal, e o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), iniciativa do Estado, tem faltado com suas obrigações.

Josiane faz uso de 12 medicamentos atualmente, um deles adquire pelo programa de Farmácia de Alto Custo, mantido pelo  Governo do Estado, os demais pelo programa Farmácia Popular. Ocorre que dois deles estão em falta: Aciclovir e Azitromicina. Resultado: desde setembro tem se virado para comprar em farmácias particulares um tratamento que não cabe em seu bolso.

“Os medicamentos estão sem previsão de chegada”, disse a jovem ao Olhar Direto. Questionada qual a função deles em seu organismo, Josiane explica. “São remédios para controlar a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH)”, isto é, evitar que as células do doador entrem em conflito com as delas, por incompatibilidade.

O outro tem por função regular a quantidade de plaquetas em seu sangue, “se não é uma reação em cadeira. A doença pode destruir um enxerto meu, posso morrer de hemorragia em casa, do nada. Enfim, preciso dos medicamentos”, explica.

Embora tenha reagido positivamente ao transplante realizado em maio deste ano, com bons resultados, lembra que sem os medicamentos, pode por tudo a perder. “Se eu pegar uma infecção, meu corpo não tem como se defender. Basicamente tomo os remédios para não morrer”, resume.

Para evitar o pior, faz compras dos seus medicamentos em farmácias particulares. O que eleva em cerca de 300% seu custo de vida. Enquanto que pela Farmácia Popular gastaria R$ 25,00 ao mês, em uma particular pode custar até R$ 450,08.

Como se não bastasse à situação de risco que o governo federal a coloca, lembra que o governo do Estado não fica para trás, o sistema de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), cuja gerência está vinculada à Coordenadoria de Regulação, da Superintendência de Regulação Controle e Avaliação da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) vem faltando com suas responsabilidades. Josiane não recebe repasses do recurso desde fevereiro deste ano.

“O valor deveria ser passado a mim entre 60 e 90 dias após a entrega do relatório de viagem para consulta e/ou internação. Recebi em junho de 2016 a ajuda de custo referente a consulta realizada em fevereiro 2016. Depois disso já fiz consulta em abril, agosto e setembro, além de ter passado três meses na cidade de Curitiba para o transplante e no período de acompanhamento ambulatorial. Nesse período a assistência social do Hospital de Clínicas enviava mensalmente os relatórios por e-mail e quando cheguei levei os originais. Todos esses relatórios e documentos relativos foram entregues e protocolados no TFD”, explica Josiane.

Todavia, nada acontece. “Já liguei para pedir informações, mas o telefone referente a ajuda de custo toca até cair. Quando ligo em outros números do TFD somente me informam o número do setor de ajuda de custo para eu ligar, ninguém mais tem informações sobre os processos”, conta.

Ela chegou a enviar uma mensagem para página do Facebook do Governo do Estado há uma semana, ela prometeu apenas verificar sua situação junto à Farmácia Popular.

Falta de assistência financeira e medicamentos com preços nas alturas são uma soma perigosa. “No último mês fiquei sem comprar um medicamento por não ter dinheiro”, revela a jovem, que após vencer uma leucemia, sente na pele o descaso do poder público, uma doença social tão fatal quanto.

Entenda o Caso:

Josiane sofre de leucemia e em no início deste ano conseguiu um doador compatível pelo cadastro do Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). O transplante foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e as passagens foram garantidas pelo TFD. Para bancar o custo de vida em Curitiba, fez inúmeras campanhas de arrecadação e venda de produtos para ajuda financeira. A atitude foi narrada em Olhar Conceito.

Medicamentos Citados:

Azitromicina 500gr (1cp/ dia): antibacteriano, da classe de antibióticos
– Farmácia popular – R$ 2,64/cp
para 30 dias: R$ 79,20
– Farmácia comercial – R$ 48,57 ou R$ 67,77 (eurofarma|medley) cada 5 cp
para 30 dias: R$ 291,42 ou R$ 406 ,62

Aciclovir 200mg (4cp/dia): antiviral
– Farmácia popular – R$ 0,28/cp
para 25 dias: R$ R$ 28,00
– Farmácia comercial – R$ 69,50 ou R$ 112,70 (ranbaxi | novaquímica) com 25 cp
para 25 dias: R$ 278,00 ou R$ 450,80

O outro lado:

Olhar Direto procurou a Secretaria de Estado de Saúde para se manifestar sobre o TFD e o Ministério da Saúde para explicar o atraso no envio de medicamentos, mas até o fechamento desta reportagem, nenhum posicionamento foi encaminhado à redação.

Fonte: Olhar Direto

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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