Home / Notícias / Sem coordenador, Programa Nacional de Controle da Tuberculose preocupa movimentos sociais

Sem coordenador, Programa Nacional de Controle da Tuberculose preocupa movimentos sociais

Os movimentos sociais de combate à tuberculose no Brasil vivem um momento de grande tensão: estão preocupados com a falta de um coordenador geral e adjunto no PNCT/MS (Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde). De acordo com manifesto da Rede Brasileira de Comitês Para o Controle da Tuberculose, isso acontece desde novembro de 2015, quando o médico Draurio Barreira deixou a coordenação, e  o MS não se manifesta a respeito.

Carlos Basilia, coordenador do OTB (Observatório Tuberculose Brasil), diz haver fortes rumores de que a coordenação deixaria de existir como Programa e seria incorporada ao Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, comandado por Fábio Mesquita.

“Por conta da reestruturação para cortes orçamentários, eles estão enxugando setores. Por isso, o PNCT seria desmontado e colocado como mais uma tarefa para o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.  Mas isso não é bom para ninguém e há um silêncio preocupante vindo do Ministério,” explica o coordenador do OTB.

Cálculos feitos pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) afirmam que o MS iniciou o ano de 2016 com um déficit de pelo menos R$ 2,5 bilhões em seu orçamento. Segundo a LOA (Lei Orçamentária Anual), sancionada em janeiro, a Pasta conta com a previsão de R$ 118, 5 bilhões. Menos 2% que a estabelecida no ano passado (R$ 121 bilhões).

ONGs, fóruns, comitês e redes de combate à tuberculose têm se mobilizado para exigirem respostas do Ministério. “Draurio Barreira, ex-coordenador geral do PNCT e Fábio Moherdaui, ex-coordenador adjunto, saíram dos cargos no mesmo período. Quem vai ficar com os cargos? O que vai acontecer? O que estão dizendo são só boatos? Temos no Programa de Tuberculose fontes de confiança. Mas, oficialmente, ninguém diz nada”, disse Roberto Pereira, coordenador do Fórum Estadual de ONGs TB/RJ.

E não diz mesmo. A Agência Aids procurou o MS. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Pasta informou que não há previsão para a coordenação do PNCT passar para o Departamento de Aids, nem para a ocupação do cargo que foi de Draurio Barreira.

“O Programa de Tuberculose faz parte do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, dirigido por Cláudio Maierovitch, e continuará, por enquanto, sob o seu guarda-chuva. Em algum momento, o cargo de coordenador pode vir a ser novamente ocupado, mas não há previsão para isso.” Foi o que informou o Ministério.

Cenário da doença

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, estima-se que um terço da população mundial esteja infectada com o bacilo causador da tuberculose (TB). Em 2013, foram registrados  9 milhões de novos casos da doença no mundo e 1 milhão de óbitos.

Ainda de acordo com o boletim, o Brasil faz parte do grupo dos 22 países de alta carga priorizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo, ocupando a 16ª posição em número absoluto de casos. No país, no período de 2005 a 2014, foram diagnosticados, em média, 73 mil casos novos de tuberculose por ano, e em 2013, ocorreram 4.577 óbitos.

“Os dados são sérios e as ações e índices brasileiros de combate à tuberculose têm reconhecimento mundial. Não estamos falando de um departamento, mas de um programa oficial. Temos a meta de reduzir os indicadores e estamos no caminho, mas esse silêncio, a falta de diálogo e possíveis mudanças são retrocesso nas nossas conquistas”, afirmou Carlos. “No Rio de Janeiro enfrentamos a TB multirresistente. Falta uma vacina e o cenário tende a se agravar”, disse Roberto.

Estimativas da OMS apontam que existem cerca de 33 milhões de pessoas infectadas por HIV no mundo. Destas 25% estariam coinfectadas por tuberculose. Entre os soropositivos, a tuberculose é a segunda maior causa de óbitos.

Para o movimento de aids, o momento que o Programa de Tuberculose está passando também é preocupante. “A gente está tentando, por meio do Conselho Nacional de Saúde dar visibilidade para o que está acontecendo com a Política Nacional de TB. Sempre fomos apoiadores deles e não queremos que a TB fique em segundo plano. Eles precisam de maiores investimentos”, afirmou Moysés Toniolo, conselheiro nacional de saúde nas patologias pela Anaids (Articulação Nacional de Luta Contra a Aids) e membro da RNP+ Brasil.

Fonte: Agencia Aids

Sobre Priscila Torres

mm
O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

Além disso, verifique

Estimativa de 600 mil novos casos de câncer no Brasil alerta para a importância de práticas saudáveis

As estimativas de incidência de câncer no Brasil são alarmantes. Dados divulgados recentemente pelo Instituto …

2 comentários

  1. Obrigado pela divulgação e solidariedade.
    Abs
    Carlos Basilia
    Observatório Tuberculose Brasil

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto:
Pular para a barra de ferramentas