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Tabagismo: aposentada sofre efeitos do vício com doença pulmonar limitante

“Se soubesse que minha vida ficaria tão limitada, teria parado de fumar antes”

Aposentada alerta para a difícil realidade de conviver com a DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Dona Lúcia Horta, 74 anos, foi diagnosticada há 15 anos com enfisema pulmonar, uma das doenças que compõem a DPOC, e sofre com a piora da doença desde 2010. “De 5 a 6 anos pra cá, comecei a me sentir cada vez mais cansada e tenho muita falta de ar, o que dificulta as tarefas mais simples do meu dia: arrumar a cama, fazer mercado e cozinhar, algo que eu adoro fazer para a minha família! Sempre pratiquei yoga por achar que era algo mais calmo e tive que parar de fazer as aulas por conta do cansaço. Isso tudo me deixa bastante deprimida. Se soubesse que teria todas essas limitações na minha rotina, teria parado de fumar antes”.

Este quadro depressivo é considerado recorrente em pacientes de DPOC por conta da profunda mudança que a doença provoca na rotina, conforme explica Dra. Iara Fiks, doutora em pneumologia pela Faculdade de Medicina da USP-SP: “Por mais ativa que a pessoa seja, com os anos de exposição ao tabaco e a consequente perda de função pulmonar, o paciente enfrenta dificuldade nas atividades do dia a dia. Por não conseguir fazer coisas básicas da rotina é muito comum que o paciente se isole,  por isso é preciso cuidar da parte psicológica dele e da família também”.

Fumante durante mais de 30 anos, antes do diagnóstico Lúcia estava acostumada a ter pouca disposição, considerando-se “preguiçosa” para exercícios físicos e longos lances de escadas. Tudo parecia estar dentro da normalidade até que, no início de 2001, Lúcia teve uma gripe muito forte e, após uma semana de tosse intensa e constante, resolveu procurar um médico. A partir de exames de imagem e histórico clínico e familiar, ela foi diagnosticada com enfisema. “Meu pai e minha tia faleceram por conta do enfisema e fiquei assustada. Eu tinha que parar de fumar! Passei uma semana com o maço de cigarro na bolsa, porque sentia que precisava dele por perto. Passaram duas semanas, três, e quando vi já estava há  meses sem colocar um cigarro na boca”.

Dra. Iara Fiks reforça que “no momento em que o paciente é diagnosticado com bronquite crônica e/ou enfisema (DPOC) o primeiro e principal passo é largar o cigarro. Infelizmente, não é possível reverter o dano que o tabaco causa no tecido pulmonar, mas evita-se de que a doença piore”.

Sobre os tratamentos disponíveis, a especialista explica que a doença não tem cura, mas seus sintomas podem ser tratados. “Além do primeiro e principal passo que é parar de fumar, temos os medicamentos que aliviam a sensação de falta de ar, melhorando a capacidade de realizar as atividades diárias. São os chamados broncodilatadores, que aumentam o diâmetro dos brônquios e facilitam a passagem do ar. Pacientes em fases mais avançadas podem precisar do uso contínuo de oxigênio para repor os baixos níveis no sangue e apresentam pioras súbitas de falta de ar que levam à internação, as ‘exacerbações’. Com medicamento adequado, é possível reduzir estas crises”, apresenta.

No caso de Lúcia, ela faz uso dos broncodilatadores, medicamentos de valor elevado que, por conta de uma ação civil pública aberta em 2007, são fornecidos pelo programa de alto custo do Governo do Estado de São Paulo. Gilberto Pucca, portador de DPOC há 15 anos e presidente da Associação Brasileira de Pacientes portadores de DPOC (ABP-DPOC), chama atenção para a importância do fornecimento gratuito destes medicamentos. “Apoiamos centenas de pacientes como a Dona Lúcia e percebemos que a qualidade de vida deles depende desses medicamentos específicos de uso contínuo e nem todos têm condição de pagar. Muitos deles tomam de três a quatros tipos de remédios ao mesmo tempo”, explica o advogado.

A Dra. Iara complementa: “como médica, considero que os pacientes paulistanos contam com um programa modelo de fornecimento de medicamentos para enfisema pulmonar e bronquite crônica, já que dispõem do fornecimento de medicamentos dos governos federal, estadual e municipal (especificamente, com a disponibilização da oxigenoterapia)”, reforça. Segundo a especialista, o caso de Lúcia exemplifica a realidade de milhares de pacientes de DPOC caracterizada pelas limitações que a falta de ar provoca e os cuidados que o tratamento da doença requer.

Sobre a DPOC

A OMS projeta que em 2020 a DPOC será a terceira causa de morte no mundo[1].  A DPOC atinge 210 milhões de pessoas, um em cada dois brasileiros nunca ouviu falar da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfermidade que atinge 7 milhões de pessoas no país e é a 4ª causa de morte no mundo[2]. Causada principalmente pelo tabagismo, a DPOC leva à dificuldade de respirar e ao cansaço progressivo e constante, impossibilitando uma série de atividades de rotina. Todos os anos, a DPOC leva a óbito cerca de 40 mil brasileiros, o equivalente a quatro pacientes por hora, segundo dados do Ministério da Saúde. A doença custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 100 milhões por ano[3].

[1] DPOC: doença estável. OLIVEIRA, Júlio César Abreu; JARDIM, José Roberto; CARVALHO, Erich Vidal. Disponível em:http://www.pneumoatual.com.br/doencas/dpoc-caso-doenca-estavel.html. Acesso em 30/10/2015.

[2] Relatório de Recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (CONITEC), 2012.  Roflumilaste para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave associada à Bronquite Crônica. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Incorporados/Roflumilaste-DPOC-final.pdf. Acesso em: 11/08/2015. 

[3] OLIVEIRA, Júlio César Abreu de Oliveira; JARDIM, José Roberto; CARVALHO, Erich Vidal. DPOC: doença estável, PneumoAtual, Novembro/2007. Disponível em: http://www2.unifesp.br/dmed/pneumo/Dowload/DPOCDefinicoesEfaseEstavel.pdf. Acesso em: 11/08/2015.

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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