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Familiares podem facilitar o diagnóstico precoce de idosos com doenças graves

A atenção aos mínimos sinais durante o envelhecimento pode fazer a diferença no desfecho da doença.

Receber o diagnóstico de uma doença rara que não tem cura pode representar um grande desafio na vida do paciente e, em consequência, de sua família. Dependendo do grau de evolução da doença, as limitações que surgem podem impactar sua rotina, além de gerar problemas psicológicos.

Por isso, além do acompanhamento médico necessário em todos os casos, os pacientes idosos geralmente precisam do apoio de familiares para se ajustarem aos novos hábitos.

Os idosos não são motivos de preocupação apenas para famílias que enfrentam o cotidiano com todos os cuidados que as doenças raras e crônicas podem exigir. Na verdade, devido ao crescimento da população idosa em todo o mundo, essa faixa etária tem merecido atenção em termos de saúde pública.

Isso porque, em 7 anos, o Brasil será o sexto país do mundo com maior número de idosos, entre os países com população próxima ou superior a 100 milhões de habitantes, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Porém, o envelhecimento não resulta, necessariamente, em redução da qualidade de vida e exclusão da vida ativa em sociedade. Justamente para essa nova geração de pessoas que envelhecem de forma ativa, focando na saúde e no bem-estar, o diagnóstico inesperado de uma doença grave e incurável pode ter grande impacto em como esse paciente encara a vida.

Diante desse cenário mundial, o pneumologista da Santa Casa de Porto Alegre (RS), Dr. Adalberto Rubin, ressalta o papel da família: “É importante estar atento aos sinais da doença. Doenças raras como a fibrose pulmonar idiopática não podem ser prevenidas, porque ainda não possuem causa conhecida. Contudo, o diagnóstico precoce pode fazer a diferença quando o assunto é rotina dos pacientes”. Assim, o especialista indica que os familiares estejam sempre atentos aos pequenos sinais e sintomas dos parentes com idade avançada.

Tosse e cansaço podem ser preocupantes? Saiba estar atento aos sinais

O Dr. Rubin destaca que o problema do diagnóstico de muitas doenças raras é a falta de conhecimento sobre elas pela população geral, afinal, elas afetam um número menor de pessoas. Ter um envelhecimento ativo é fundamental para melhorar a saúde, mas pode não prevenir algumas doenças.

Por isso, é importante a família prestar atenção aos detalhes do idoso. Muitas pessoas mais velhas não sabem quando devem procurar o médico ou evitam se queixar do que sentem porque não querem dar trabalho aos familiares e amigos.

Porém, pode haver comprometimento da saúde e da qualidade de vida, caso esses sintomas representem, de fato, a existência de uma doença progressiva. Tosse, cansaço constante, falta de ar e dificuldade para fazer atividades como subir escadas ou tomar banho podem ser vistas como características do envelhecimento. E são exatamente esses os principais sintomas da FPI, doença rara, crônica e progressiva que provoca o surgimento de cicatrizes (fibrose) nos pulmões.

Esses sintomas também podem ser confundidos com os de outras doenças respiratórias, ou com os de doenças cardíacas, tornando o diagnóstico muito complexo. Erros de diagnóstico são frequentes para esses pacientes.

Foi o que aconteceu com César Pereira, que descobriu a doença no ano passado. “O único sintoma que eu tinha era tosse seca, mas achava que era porque eu era fumante por vários anos”. Os primeiros especialistas que o atenderam também acharam que a causa da tosse era a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), condição gerada pelo tabaco.

Apenas depois de dois anos, ele teve o diagnóstico correto de FPI, que o surpreendeu bastante. A fibrose pulmonar idiopática apresenta taxa de sobrevida pior do que muitos tipos de câncer, atingindo entre 14 e 43 pessoas a cada 100 mil nos Estados Unidos.

No Brasil, estima-se que existam pouco mais de 18 mil casos a cada 100 mil pessoas. César conta que “apesar de não ter muitos sintomas, porque a doença ainda não tinha progredido muito, ter a família ao meu lado foi muito importante”.

A partir do diagnóstico correto, o Dr. Rubin ressalta que o tratamento medicamentoso é essencial para reduzir a progressão da doença. “O primeiro medicamento para o tratamento da FPI disponível no Brasil foi aprovado no início de 2016. O nintedanibe retarda a progressão da FPI em 50% e possibilita que o paciente tenha menor impacto da doença em sua rotina”, reforça. Além disso, os familiares podem conhecer melhor a doença e as formas de dar apoio aos pacientes com FPI.

O suporte emocional é uma das principais formas de apoio, uma vez que se estima que até 50% e 30% dos pacientes com a doença apresentem sintomas de depressão e ansiedade, respectivamente.

Fonte: Informação de Imprensa

Referências:

[i] Envelhecimento ativo: uma política de saúde / World Health Organization; tradução Suzana Gontijo. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60p.:il.

[ii] Raghu G, Weycker D, Edelsberg J, Bradford WZ, Oster G. Incidence and prevalence of idiopathic pulmonary fibrosis. Am J Respir Crit Care Med 174 (7), 810 – 816 (2006).

[iii] Baddini-Martinez J, Pereira CA. Quantos pacientes com fibrose pulmonar idiopática existem no Brasil? J Bras Pneumol. 2015;41(6):560-561.

[iv] Fulton BG, Ryerson CJ. Managing comorbidities in idiopathic pulmonary fibrosis. Int J Gen Med. 2015;8:309-18.

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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