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As startups que querem substituir seu plano de saúde

Dandelin oferece consultas com custos reais rateados entre os usuários; Vida Class aposta em geolocalização e facilidades de pagamento

O sucateamento da saúde pública e o alto custo dos planos de saúde inviabilizam o acesso a consultas e exames para boa parte da população. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar apontam que 47,6 milhões de brasileiros têm cobertura de planos, a maioria coletivos – que não estão sujeitos a tetos de aumentos.

Com reajustes que variam de 18% a 100%, os planos de saúde são uma alternativa cada vez mais distante das possibilidades dos brasileiros, que não veem os salários aumentarem na mesma velocidade. Em 2015 e 2016, o volume de clientes dos planos de saúde teve recuos de 2,3% e 3,1%, respectivamente – em 2017 a tendência não deve ser contrária.

Se por um lado o cenário é desanimador para os clientes, por outro abre uma oportunidade empreendedora. Com a tecnologia como aliada, startups focam na qualidade dos serviços e em repasses maiores para os profissionais. 

A ideia é atrair tanto os insatisfeitos com os planos de saúde privados quanto pacientes que não podem esperar por uma consulta pelo Sistema único de Saúde (SUS). Com a base de clientes das seguradoras diminuindo ano após ano, o mercado paralelo deve crescer e ganhar a preferência de clientes e profissionais.

Fatura rateada

É o que espera Felipe Burattini, CEO da Dandelin. Com o início das operações previsto para janeiro, a empresa já conta com planos agressivos de expansão – chegar ao final do próximo ano com presença nas 17 cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes e 60 mil membros cadastrados.

A estratégia consiste em explorar o vácuo deixado pelos planos de saúde. “Com o sistema de saúde atual do Brasil, a população torna-se refém das poucas opções para ser ter acesso a serviços médicos”, conta Burattini.

“Ou você paga valores altos para seguradoras e arca com taxas de reajuste acima da inflação, ou você recorre ao SUS e se sujeita às longas filas de espera para conseguir uma consulta ou exame, ou você fica descoberto e recorre a clínicas populares e consultas particulares, que podem gerar custos extremamente altos”, explica.

Economia compartilhada

O conceito por trás das caronas pagas e do crowdfunding é a aposta da Dandelin para se apresentar como alternativa aos consumidores desassistidos. A plataforma aproxima pacientes de médicos, mas a principal diferença está no método de cobrança.

Enquanto nas seguradoras os clientes pagam o valor cheio para terem direito à cobertura – arcando com todos os custos e riscos do negócio – a Dandelin propõe um rateio do custo real. Ou seja, os custos dos procedimentos e consultas realizados por pacientes em determinado mês são divididos pelo total de clientes.

Embora o preço pago pelo consumidor seja variável – uma vez que depende do volume de procedimentos do conjunto naquele mês – é possível que seja apenas uma fração do que é pago em planos coletivos, principal segmento das seguradoras. De acordo com o CEO, o valor das mensalidades pode variar entre R$ 0 e R$ 100, livres de reajustes ou de aumentos tarifários.

“Os membros da comunidade dividem, igualitariamente, os custos reais da saúde mensalmente”, diz. Além do preço menor, a empresa aposta na coletividade do benefício – afinal, em cada mensalidade estão embutidos os atendimentos realizados por outros pacientes.

Riscos

O fato de alguns clientes que utilizam menos a plataforma cobrirem outros que demandam mais consultas poderia colocar o modelo em risco? Para o empresário, não.

“Ao contratar planos de seguro privados ou fazer investimentos em bancos você não está pagando para os outros que precisam utilizar enquanto você não precisa? Cada mensalidade paga para estar coberto não fica guardada para quando você precisar. Esse dinheiro é utilizado para cuidar dos outros sinistros, pagar salários e cobrir gastos judiciais”, defende.

A possibilidade de o negócio ser inviabilizado por conta da alta judicialização – que, de acordo com as seguradoras, encarecem os planos de saúde – também é uma possibilidade afastada. “Obviamente estamos preparados para receber ações judiciais, porém não é algo que nos preocupa”, ressalta.

A aposta para evitar imbróglios jurídicos é na transparência dos contratos e do próprio negócio. Burattini destaca que os principais motivos para o constante acionamento dos planos convencionais é a falta de clareza e o descumprimento do que está previsto em contrato.

“Isso se dá pelo fato de que a maioria dessas empresas coloca lucro acima das vidas que se propôs a cuidar. O Dandelin tem outra proposta. A empresa é completamente transparente no que oferece e visa oferecer. Os integrantes da comunidade terão acesso a todas as informações que quiserem do negócio”, promete.

O modelo, segundo Burattini, favorece também os médicos que utilizam a plataforma para entrar no radar dos pacientes.

“Por estarmos em fase de pré-cadastro ainda não podemos divulgar os números concretos, porém podemos garantir que temos tido uma excelente aceitação por parte dos médicos, não somente por verem a plataforma como uma possibilidade de ganhos mais justos, mas também por apoiarem o movimento de mudar a forma como o sistema de saúde funciona no Brasil”, conta o executivo.

De acordo com a empresa, atualmente são cobertas consultas a 40 especialidades médicas, desde mastologia até psiquiatria. No entanto, para alguns clientes a alternativa pode não ser tão vantajosa: procedimentos complexos, como cirurgias, ainda não são cobertos – apenas consultas com cirurgiões.

Encontre o especialista mais próximo

Em agosto, a aceleradora de negócios sociais Artemisia selecionou nove startups entre 967 para participarem do programa de aceleração pelos seis meses seguintes. Uma das selecionadas da área de saúde foi a Vida Class.

O negócio se baseia na oferta de um aplicativo onde usuários podem buscar opções de atendimento via geolocalização. O programa também media o agendamento da consulta e o pagamento, que pode ser parcelado.

O CEO da empresa, Vitor Moura, explica que, além da conveniência, os preços tendem a ser mais atrativos nos agendamentos pela plataforma.
“Não definimos os preços cobrados pelos profissionais”, enfatiza Moura, “mas recomendamos que os valores cobrados sejam menores no aplicativo para facilitar a atração de clientes”.

Mesmo voluntariamente, os descontos variam entre 20% e 70%. Procedimentos mais simples, como a realização de um hemograma, podem ser encontrados por até R$ 4, dependendo da região. Mas também há oferta de serviços de média e alta complexidades, além de atendimentos voltados para clientes mais abastados.

“O aplicativo dá a oportunidade de o cliente escolher por quem ser atendido e por quanto”, diz.

Atualmente, o serviço funciona em 12 capitais e 99 cidades brasileiras. “Estamos bem estruturados em 20 municípios”, diz Moura. Até o final de 2018, a meta é ter 25 mil especialistas cadastrados – em 2020, esse número deve aumentar para 50 mil.

“Esse é o número que precisamos para atender nosso público-alvo. Estamos em um mercado de 160 milhões de brasileiros que não têm plano de saúde e queremos nos comunicar com 70 milhões em dez anos”, estima o executivo. Segundo ele, alguns clientes do app têm planos de saúde, embora esse não seja o público visado.

Para os profissionais da área de saúde, não há custos na utilização do serviço e os pacientes só são cobrados ao realizarem um procedimento – ou seja, não são cobrados para terem cobertura ou acesso ao aplicativo nem pagam taxa de adesão.

Para o primeiro atendimento, todas as especialidades médicas estão disponíveis no serviço, bem como exames laboratoriais que são requisitos para determinado diagnóstico.

Modelo de negócio

O aplicativo é o produto principal da Vida Class, porém não o único. Clientes cadastrados podem optar pela assinatura de descontos em farmácias cadastradas – atualmente são 22 mil que fazem parte – e pela cobertura de um seguro que cobre internações hospitalares, modelo que se aproxima da proposta das seguradoras.

A diferença é que o valor do seguro – R$ 500 ou R$ 1 mil a diária, dependendo do seguro contratado – é pago ao próprio cliente, e não ao hospital. “Dessa maneira o paciente pode usar a rede do SUS para internações e receber o valor integral como se fosse indenização pelos dias em que ele ficou sem trabalhar”, conta Moura.

Para esse modelo de negócios, há a recorrência mensal no pagamento, com preços que variam entre R$ 27,50 e R$ 36,50. O valor dá direito a 20 diárias por ano. “Visamos além da saúde, queremos garantir que os profissionais não parem de ter renda”, afirma.

Sobre Priscila Torres

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O diagnóstico de uma doença crônica, em 2006, me tornou, blogueira e ativista digital da saúde. Sou idealizadora do Grupo EncontrAR e Blogueiros da Saúde. Vice-Presidente do Grupar-RP, presidente do EncontrAR. Apaixonada por transformação social, graduanda em Comunicação Social "Jornalismo" na Faculdades Unidas Metropolitanas.

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